16/04/2026

Produtores rurais serão os mais impactados pela reforma tributária

Produtores rurais serão os mais impactados pela reforma tributária

Tema foi debatido ontem à noite, em Chapecó, durante a 7ª edição do Encontro Regional de Ciências Contábeis (Erccont)

O agronegócio está entre os setores mais impactados pela reforma tributária. A afirmação é da contadora, consultora, mentora e pesquisadora, doutoranda em Ciências Contábeis, com mestrado em Contabilidade e especialização em Gestão Contábil e Tributária do Agronegócio, Justine Arruda, que palestrou ontem (15), na 7ª edição do Encontro Regional de Ciências Contábeis (Erccont), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nês, em Chapecó.

O evento, realizado pelo Sindicato dos Contabilistas de Chapecó (Sindicont), em parceria com instituições de ensino superior da região: Uceff Faculdades, Unoesc Chapecó, Unochapecó e Unopar, teve como tema “Reforma tributária no agro e o impacto da inteligência artificial na contabilidade”.

Justine abordou os impactos diretos no agronegócio e os desafios que produtores e profissionais da contabilidade devem enfrentar nos próximos anos. Segundo ela, haverá uma transformação profunda na forma de organizar, gerir e tributar a atividade no campo. Ela destacou que grande parte dos produtores ainda enfrenta dificuldades básicas de gestão, como controle de custos, faturamento e organização de documentos fiscais. Esse cenário tende a se tornar insustentável diante das novas exigências. “A reforma vai exigir uma mudança cultural. E isso não é só do produtor, mas de toda a cadeia”, enfatizou.

Outro ponto levantado foi o avanço da fiscalização nos últimos anos. Operações da Receita Federal e o cruzamento de dados têm aumentado o controle sobre o setor, evidenciando inconsistências e obrigando produtores a se adequarem. Para Justine, a ideia de que “sempre foi assim” já não se sustenta.

A palestra também detalhou as principais mudanças no sistema tributário, como a criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que substituem tributos atuais. No novo modelo, o produtor rural, inclusive pessoa física, passa a ter maior participação no sistema, seja de forma direta ou indireta, sejam pequenos, médios ou grandes produtores.

Entre os pontos de atenção, está a obrigatoriedade de emissão de notas fiscais em diversas operações e a criação de um CNPJ específico para produtores rurais a partir de julho deste ano, que será gerado automaticamente pelos órgãos competentes.

Para a palestrante, o momento exige preparo e orientação. “Quem não se organizar, vai sentir no bolso”, reforçou. Justine frisou, ainda, que mais do que uma mudança técnica, a reforma tributária representa um novo cenário para o agronegócio brasileiro, onde gestão, controle e profissionalização deixam de ser diferenciais e passam a ser essenciais.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Outro tema debatido no Erccont foi sobre inteligência artificial na contabilidade. O palestrante foi pelo sócio e Diretor de Produtos da Questor Sistemas, especialista em tecnologia com mais de 20 anos de experiência em gestão de produtos e projetos de software no Brasil e no exterior, Marcos Luiz.

Ele apresentou uma visão prática sobre como a tecnologia já está transformando rotinas e exigindo adaptação das empresas e profissionais. Contextualizou a dimensão do impacto tecnológico, destacando que soluções digitais já processam milhões de dados e acessos simultâneos diariamente, o que reforça a responsabilidade e a complexidade do cenário atual.

Ao abordar a evolução da tecnologia, Marcos fez um paralelo com momentos anteriores de ruptura, como a chegada do computador pessoal e dos smartphones. Segundo ele, assim como essas ferramentas ampliaram a produtividade, a inteligência artificial não vem para substituir profissionais, mas para potencializar sua capacidade de entrega.

O uso de dados para tomada de decisão foi um dos destaques da palestra. Com a inteligência artificial, análises que antes eram feitas por amostragem passam a considerar grandes volumes de informação, aumentando a precisão e a velocidade das respostas. Isso tende a impactar diretamente a relação com clientes, que passam a ter mais acesso a dados e, consequentemente, mais questionamentos.

Apesar das oportunidades, Marcos fez um alerta sobre os riscos do uso inadequado da tecnologia, como decisões baseadas em dados inconsistentes, exposição de informações sensíveis e perda de confiança dos clientes. Para ele, o desafio está em aliar conhecimento técnico com entendimento de negócio. “O diferencial não é só ter acesso à tecnologia, mas saber treinar, validar e usar esses dados com responsabilidade. O impacto real dependerá da forma como profissionais e empresas escolhem utilizar a IA”, finalizou.

CONTESC 2026

O presidente do Sindicont, Carmo Alex Röhrig, destacou na abertura do Erccont o compromisso da entidade com a qualificação constante dos profissionais da contabilidade. Entre as iniciativas, ele ressaltou a realização da Convenção da Contabilidade do Estado de Santa Catarina (Contesc), que acontece de 23 a 25 de setembro, em Chapecó, com o tema “Contabilidade como ferramenta de gestão”.

O mascote da Contesc, o Max, esteve presente no início do evento, reforçando a importância da atualização profissional que, na convenção, os contadores terão muito conteúdo técnico, com 20 palestras, debates estratégicos, networking qualificado, feira de negócios e show nacional com Marcos & Belutti, exclusivo para os participantes da convenção.

A realização da Contesc é da Federação dos Contabilistas do Estado de Santa Catarina (Fecontesc) e do Sindicont Chapecó, com apoio do Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina (CRCSC). As inscrições podem ser feitas no site contesc2026.com.br.

O Erccont 2026 teve apoio da Fecontesc e da Questor Sistemas, patrocínio do Suco Prat’s e da Thomson Reuters – Domínio, reforçando o compromisso coletivo com a qualificação e o fortalecimento da contabilidade no oeste catarinense.

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